segunda-feira, 13 de junho de 2011

Imaginemos













Com o corpo-espírito em inércia
Não deixaria a manhã indiferente
sina dos intensos indignados
nunca existe paz, até ela é motivo
então se lança uma idéia
como uma pedra em lago profundo
há de cair
há de repercutir
há de somar
não importa quantos quiques 
mais uma ao fundo
e suas ondas hão de borbulhar
na face finita da margem
a margem do que possa parecer
não se trata de futilidade
é a habilidade de transformar
o “coisa alguma” em algo
que pode não ser excepcional
mas é melhor que qualquer nada

e se ao menos somar um riso
mesmo que no canto dos lábios
a idéia viva põe o vazio a perder
e tudo, fica por imaginar
 ...
imaginemos

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Hemisférios


Nesse vasto templo
por muitos desprezado,
a minha pequena escala
No rasgado tempo
por nenhum ultrapassado,
a minha breve estada
Enquanto o vento
por poucos estimado
desfaz o rastro,
E a minha trilha sigo sorrindo à pensar....
na fé e na montanha,
nas pernas da mentira,
no dia do caçador

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Segunda Manhã

 
 
 
O sol insistente invadiu a fresta
Como quem cutuca o vespeiro
De todo enxame moribundo
Celebrando o amanhecer vivo
Dos seres cerebrais
Dos invertebrados hipócritas
Ignorantes sorridentes
Ricos miseráveis
pobretões afortunados
Daquela moça de olhar feroz
daqueles que acham um sentido
arrasar a saúde por nada
acreditando ser muito
E eu no meu despertar
Atento pelo agora
Ora pela consciência
Ora pela fé
Lavo o rosto
Visto minha couraça
e me lanço nessa insanidade

terça-feira, 7 de junho de 2011

Um Solista

Ao que chegou sem pedir
Invadiu sem licença
Adorou com veemência
Sorria-me com sinceridade
Abraçava-me com volúpia
Naquelas manhãs curtas
e eu na minha admiração
admirei-a com calma,
admirei pela força
admirei como tela
e também com o corpo
mas chegou a exaustão
tão logo, não entendi
fiz questão de incompreender
e com o peito cheio
orgulhoso e rude, feri
me restou a resignação
o que fazer então...

afino minha velha viola
e combalido componho
a dissonância trará outros tons
o tempo ditará o compasso
na arritmia incessante,
um novo arranjo
ou numa abrupta pausa
silenciarei...