sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Abaeté











Solto, livre, devoto e esperto
pelas razões da fé, completo
Impensável mas... grato aos montes
Por aquelas tropicadas e pontes

Forte, simples, leve e desperto
No bolso do rancor, sem objeto
Dos meus bens ou males,
Só eu tenho culpa ou mérito

Minha trilha é prosseguir
Com um sorriso mais largo
Com o abraço mais terno
Com o prazer do saber

Nos reveses ou no pior
O saldo de toda equação
Um renovado e renascido
Ser-homem-humano melhor

.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Mira











A risca, assumo os riscos
Minha incessante procura
De um algo mais e “a mais”
Maior que uma beleza supérflua
Que um prazer momentâneo
Ou até um social plano
Meus faro de raça, de caça
Rastreia vestígios puros
No odor do sentido maduro
Mais livre, sincero e leal
Nada menos que a alma
Conquista eterna e cotidiana
Nobre, bem quista e mal vista
Não por menos tascam-me rótulos
utopistautópico? Nada disso
se assim sou, há de haver
pétalas para meu caule
que assim como eu
sugam a sombra da terra
para se elevar a luz
e minha certeza se solidifica
no peso da minha conduta
e sobre tudo e todos
em Quem me conduz


comprendes?

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Ledo Engano


Água quente
Metal frio
E  tss... taio feio
Dor resignada, ardida
Carne exposta

toma essa, 
manusiei latão
como metal nobre
Se fez pra lembrar
Remédio tempo
Vai passar
Curativo, sopro doce
Nem cicatriz ficará
Apenas o ridículo
de um lamina boba

creio que vislubrada
por uma oportunidade
por um desejo fútil
eu, de cara limpa
e um mundo à conquistar

sim
o que é pra ser meu
de certo que será




...

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Azimute

Num fim de tarde cinzento,
entre mil pensamentos,
estanco em um único.
Pinçado pela mente,
Ou será pela alma,
Pode ser um toque do espírito,
E cuspo uma reflexão
Mas...
O que estou permitindo?
Avalio cada única variação,
amplio a vista da perspectiva,
A procura da pura conclusão
E tudo vai pela mesma trilha
Como os pontos de fuga
Como os raios do circulo
Apontando para o convergente
E bem lá no eixo
A consciência
Com aquele ar de sabida
Me fita impiedosa
E urra
Teu valor é você quem dá!
E disso, eu bem já sabia.


...

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Cá entre nós



Um incomodo, um zumbido
da lousa, o ruído de giz
e não é que...
diluiu-se a real na mentira
incessantemente vendida
ter, ter, ter....ter
Saber? apenas no oficio
Ser? ficou desnecessário
amigos são contatos
sorrir é político
fazer acreditar é vender
valorizar e subverter
olhos nos olhos, são intimação
ve-se fraqueza na sinceridade
e o objeto reluzente é o cume,
um auge
design desejo desígnio
da escalada humana
rumo ao mesmo pó
e tudo que acumulou
ao custo extremo do esforço
tensão, impaciência e competição
por vezes, desleal e irracional
durará cem vezes mais
para o planeta digerir
do que teu breve corpo
em que laminas e cremes
tentam levantar
pare
penses
não é entre tu e eles
é entre tu e Ele.




.nogs

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Imaginemos













Com o corpo-espírito em inércia
Não deixaria a manhã indiferente
sina dos intensos indignados
nunca existe paz, até ela é motivo
então se lança uma idéia
como uma pedra em lago profundo
há de cair
há de repercutir
há de somar
não importa quantos quiques 
mais uma ao fundo
e suas ondas hão de borbulhar
na face finita da margem
a margem do que possa parecer
não se trata de futilidade
é a habilidade de transformar
o “coisa alguma” em algo
que pode não ser excepcional
mas é melhor que qualquer nada

e se ao menos somar um riso
mesmo que no canto dos lábios
a idéia viva põe o vazio a perder
e tudo, fica por imaginar
 ...
imaginemos

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Hemisférios


Nesse vasto templo
por muitos desprezado,
a minha pequena escala
No rasgado tempo
por nenhum ultrapassado,
a minha breve estada
Enquanto o vento
por poucos estimado
desfaz o rastro,
E a minha trilha sigo sorrindo à pensar....
na fé e na montanha,
nas pernas da mentira,
no dia do caçador

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Segunda Manhã

 
 
 
O sol insistente invadiu a fresta
Como quem cutuca o vespeiro
De todo enxame moribundo
Celebrando o amanhecer vivo
Dos seres cerebrais
Dos invertebrados hipócritas
Ignorantes sorridentes
Ricos miseráveis
pobretões afortunados
Daquela moça de olhar feroz
daqueles que acham um sentido
arrasar a saúde por nada
acreditando ser muito
E eu no meu despertar
Atento pelo agora
Ora pela consciência
Ora pela fé
Lavo o rosto
Visto minha couraça
e me lanço nessa insanidade

terça-feira, 7 de junho de 2011

Um Solista

Ao que chegou sem pedir
Invadiu sem licença
Adorou com veemência
Sorria-me com sinceridade
Abraçava-me com volúpia
Naquelas manhãs curtas
e eu na minha admiração
admirei-a com calma,
admirei pela força
admirei como tela
e também com o corpo
mas chegou a exaustão
tão logo, não entendi
fiz questão de incompreender
e com o peito cheio
orgulhoso e rude, feri
me restou a resignação
o que fazer então...

afino minha velha viola
e combalido componho
a dissonância trará outros tons
o tempo ditará o compasso
na arritmia incessante,
um novo arranjo
ou numa abrupta pausa
silenciarei...